Explicando a Planilha de Aportes do Blog

No post de Aporte do mês de Abril/2020, um leitor pediu para que eu explicasse mais detalhadamente as colunas que compõem a planilha de aporte que eu uso neste Blog. Como tento ser um bom anfitrião, para sanar as dúvidas dos meus leitores e para ser o mais claro possível, resolvi criar este post atual para explicar tudo o que compõe a planilha.

Esta planilha ainda não está disponível para download porque não consegui adaptá-la para uso geral pelo pessoal. Mas em breve pretendo deixá-la disponível para download.

Vou colar novamente a planilha aqui para que seja bem visualizada: 

Aporte Abril 2020 - Final

PARTE BÁSICA INICIAL

Inicialmente temos o que toda planilha deve ter:

a) Código da empresa negociado em bolsa. Ex: WEGE3. Para os iniciantes que ainda não estão acostumados com os códigos, poderia ser incluído o nome da empresa também. Mas supondo que o investidor tenha estudado a empresa, não restará dúvida que ele sabe todos os códigos ali registrados.

b) Quantidade de ações: é a quantidade total de ações compradas pelo investidor ao longo do tempo, do início até o momento atual.

c) Preço médio (PM): aqui o ideal seria chamar de custo médio. O preço médio é a média aritmética de todas as compras para um determinado papel. Ex: 100 WEGE3 a R$ 40,00 + 100 WEGE3 a R$ 30,00. Total: 200 WEGE3 a R$ 35,00. Cálculo: [(100 x 40) + (100 x 30)] / [(100 + 100)] = (4.000 + 3.000) / 200 = 7.000 / 200 = R$ 35,00.

O custo médio é quando o investidor já inclui nos cálculos os emolumentos da B3, as corretagens (quando existentes) e o ISS (se existente). A Receita Federal autoriza a inclusão destes custos no preço médio. Futuramente criarei um post sobre custo médio para detalhar mais.

No Blog e na minha planilha pessoal sempre incluo estes custos já no lançamento da compra da ação. Eles serão importantes em vários momentos ao longo do tempo.

d) Custo Total: É o custo médio multiplicado pela quantidade de ações atuais. Este é exatamente o valor desembolsado para aquisição daquele ativo durante todo o tempo. Inclui os custos também.

e) Cotação: É o valor da ação no momento da consulta da planilha. Este valor varia a todo instante. Como olho poucas vezes no mês e normalmente na hora da compra ou no fechamento do mês, este valor tem relevância apenas estatística para mim.

f) Mercado: É o valor de mercado do total de uma determinada ação. É a multiplicação da cotação atual pela quantidade de ações. É o valor do patrimônio naquele ativo naquele momento. Como a intenção é não vender os ativos, salvo raras exceções, este valor vai variar durante os longos anos. A planilha é toda ordenada por esta coluna.

g) Δ (Delta): É a variação do custo médio total e do valor de mercado total. Valores negativos indicam que a ação vale menos hoje do que seu custo médio. Valores positivos indicam que a ação vale mais hoje do que seu custo médio.

Este mês de março a bolsa não ajudou muito e todos os ativos tiveram o delta negativo. Entretanto, há meses que teremos variação positiva na parte inferior da planilha e variação negativa na parte superior da planilha. Isto porque os ativos têm participações diferentes na carteira.

Mas veja abaixo a tabela como ficou após o primeiro mês de aporte neste Blog. Perceba que o aporte inicial foi igual para todos os ativos, tentando ficar em torno de 5% para cada um. Ao final do mês o Mercado tratou de bagunçar a planilha empurrando WEGE3 para +11% e ABEV3 para -5%.

À exceção de ITUB3 que foi comprada um pouco acima de 5% (veja que seu custo é maior que CSMG3) no início e ficou deslocada na planilha pelo valor de mercado ser maior, as demais ações ficam praticamente em ordem decrescente de variação de delta e exatamente em ordem decrescente de valor de mercado.

Com o passar do tempo a coisa vai se desajustando e você vai tentar ajustar com os aportes, mas nunca você conseguirá deixar tudo exatamente no mesmo percentual, porque o Sr. Mercado é dinâmico e muda a cada segundo.

Tabela em Excel demonstrando como foi o encerramento do mês da CARTEIRA SIMULADA

PARTICIPAÇÃO DO ATIVO NA CARTEIRA

Inicialmente o investidor pode distribuir igualmente seus ativos na carteira, foi feito neste Blog. Por exemplo, 20 ações e 5% para cada, ou 10 ações e 10% para cada.

A coluna Participação demonstra a participação percentual na carteira de cada ativo. De acordo com os aportes e a variação da cotação no passar do tempo esta participação irá variar. Veja que WEG saiu de 5,56% para 6,47% mesmo sem aumentar a quantidade de ações e mesmo caindo o valor total de mercado. Já IRBR3 que tinha 6,4% ao final de janeiro e estava em 3º lugar caiu para o 20º lugar com 3,24% de participação no total da carteira.

Entretanto, com o passar do tempo o investidor vai ficando mais experiente e começa a perceber que, apesar de todos seus ativos serem bons, alguns apresentam um risco ou uma qualidade um pouco diferente dos outros.

Creio que é consenso geral entre os investidores que WEG é uma das melhores empresas da bolsa brasileira. Metal Leve (LEVE3) já não é tão conhecida dos iniciantes.

Eu criei um sistema de Rating que dá notas a cada empresa ao longo do tempo. Estas notas podem mudar a cada trimestre, pois o desempenho das empresas podem mudar a cada temporada de Balanços.

Veja nas duas imagens deste post há diferenças de Rating dos mesmos ativos. A imagem do fechamento de janeiro (2ª imagem) tinha apenas os demonstrativos contábeis do 3º Trimestre de 2019 para trás. Já a 1ª imagem contém vários ativos (mas nem todos) com demonstrativos contábeis já do 4º Trimestre de 2019.

Por este Rating, WEG manteve sua nota como AAA, enquanto LEVE3 caiu de A para B. (A ordem é: AAA+, AAA, AA, A, B, C, D, E). Esta é beleza da matemática para mim. Apenas inserindo os números dos Demonstrativos Contábeis consigo visualizar quais empresas foram melhor ou pior em determinado trimestre.

Apesar de não mostrar abertamente a planilha diretamente com esses Ratings, um leitor atento poderá notar as alterações de cada ativo a cada trimestre. Pelo menos desses 20 ativos constantes neste Blog, porque eu tenho esses Ratings de 116 neste momento que escrevo, já que empresas que dão prejuízo anual são retirados no meu sistema de controle (não quero empresas com prejuízo para analisar!).

É o caso da Vale, que deu prejuízo em 2019 e saiu da minha lista. É o caso de Via Varejo e Oi que também não deveriam nem ter sido incluídas na lista em 2019. Por fim, acabei decidindo por nem inserir mais empresas com prejuízo no controle (dá um maior trabalhão inserir os dados manualmente).

Claro, isto é uma decisão pessoal. Tem investidor que acredita nestas empresas, as estuda mais profundamente e aceita um risco maior de investir nelas. Pessoalmente, é uma regra minha de investir apenas em empresas lucrativas. Se, futuramente, estas empresas voltarem a ser lucrativas, elas serão bem vindas à minha análise. Posso pegar o bonde andando, não preciso estar na fila da frente (vai que este bonde descarrilha…).

A coluna “Ideal” indica o percentual ideal de participação para cada ativo na carteira, calculado de acordo com o Rating atual da ação. Esta coluna ajuda na hora do aporte. Tentarei sempre ficar próximo ao percentual indicado nesta coluna.

A coluna “Máxima” é duas vezes o percentual ideal. Ela indica que um ativo pode até ultrapassar o percentual ideal, mas não deverá ultrapassar o percentual máximo definido. Isto ajuda a não concentrar demais em um ativo. No momento do aporte esta é a primeira coluna que verifico.

Se a coluna “Máxima” for ultrapassada a coluna “Estouro” marcará o percentual estourado e a coluna “Aporte” marcará a indicação em fundo negro “SEM APORTE”. Todos estes cuidados para alertar que este ativo não deverá ser aportado naquele momento porque já ultrapassou seu limite de risco na carteira.

Como exemplo, podemos citar na 1ª imagem a ação TAEE11. Ela manteve a mesma quantidade de ações entre final de janeiro e o final de março. Entretanto, com a divulgação dos Demonstrativos do 4º Trimestre de 2019, seu Rating caiu de A para B. Isto diminuiu sua participação ideal na carteira.

Contudo, apesar de sua cotação ter caído em março, ela foi uma das menos afetadas na carteira. Isto fez com que ela permanecesse com um elevado percentual na carteira. O resultado foi o estouro da participação máxima permitida pelo Método em quase 1%. Sendo assim, vários são os alertas que a planilha dá para eu não aumentar os riscos deste ativo na carteira.

Uma coisa é eu achar a empresa boa. Outra coisa são os números me mostrarem um alerta. É a razão sobre a emoção. A planilha apenas me mantém no foco da razão. Pode ser apenas um trimestre, mas será um trimestre de quarentena para este ativo também.

Perceba que no aporte de abril/2020 este não foi um dos ativos escolhidos.

As duas colunas seguintes dizem respeito ao aumento possível em percentual e em quantidade de ações daquele ativo para que ele atinja o percentual ideal. Assim, tenho uma quantidade aproximada de quantas ações posso comprar para atingir o percentual que quero para cada ativo.

Veja na 1ª tabela que mesmo Ambev estando em 3º lugar de participação, a planilha me permite comprar ainda 4 ações. Estas proezas são possíveis pela qualidade do ativo (Rating AAA) e pelo baixo preço que ela se encontra. Não deixa de ser uma oportunidade que a planilha me dá.

A última coluna a ser comentada indica para mim a força do aporte. Como já comentado, o indicador “SEM APORTE” se refere a ativos que estouraram o limite máximo permitido de participação daquela ação na carteira.

“COMPRA FORTE” significa que a ação não atingiu seu percentual ideal na carteira e que seu delta é negativo. Os demais indicadores ainda estão em construção e estudo.

CONCLUSÃO

Creio que agora toda a planilha foi explicada. O leitor pode tirar ideias desta planilha e implementar na sua própria planilha.

Claro que o investidor pode ser mais tranquilo e não é necessário tanta coisa assim para se preocupar. Ele pode apenas ter regras básicas e memorizadas de cabeça para aplicar no momento do aporte.

Entretanto, gosto de deixar as coisas bem definidas para mim mesmo. Assim, meu inconsciente e meu emocional não conseguem me derrubar! Este Blog tem me ajudado bastante nesta disciplina, pois nem nas minhas regras escritas as coisas ficaram tão bem explicadas.

Gosto sempre de relembrar, ao final de cada postagem, que as ações aqui divulgadas não são recomendações de compras. Elas fazem parte de um Método Didático de escolha de ações e Planejamento de Investimento visando a construção de uma Carteira Previdenciária.

Cada investidor deve se apropriar do conhecimento em si e aplicá-lo à sua própria estratégia que será definida e aperfeiçoada ao longo de sua caminhada financeira durante a vida inteira.

Abraço e até a próxima publicação!

4 comentários em “Explicando a Planilha de Aportes do Blog”

    1. Os lançamentos de compras são feitos em outra aba da planilha. Há uma consolidação da quantidade e do custo médio de cada ação individualmente. Abaixo um exemplo dos lançamentos de um ativo único. Perceba que o preço médio já vai sendo ajustado. A consolidação da quantidade total é levada para a planilha de controle dos aportes, aquela utilizada neste post que você comentou.

      Exemplo de lançamento de compras de um único ativo

  1. Obrigado! Esse post sanou todas as minhas dúvidas, parabéns pelo conteúdo! Adotarei alguns itens na minha planilha pessoal para ver se me adapto.

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