Roteiro de Estudo para o Investidor Iniciante em Renda Variável

Tendo em vista o grande número de investidores iniciantes em renda variável no mercado brasileiro neste ano de 2020 e devido à grande procura por informações sobre os investimentos a longo prazo neste mercado, resolvi elaborar um pequeno Roteiro de Estudos para que este investidor possa se orientar nos seus estudos.

O fato é que muitas informações são simplesmente jogadas neste novo investidor e ele não consegue assimilar tudo o que precisa aprender para investir com segurança. Como tenho visto muitos já realizando suas primeiras compras antes mesmo de saber o que é lucro líquido de uma empresa ou saber o que é a letra F ao final de um ticker, ou, pior ainda, sem saber os custos envolvidos numa operação na bolsa de valores, resolvi tentar dar um norte para eles.

Tentarei ao máximo não exprimir opiniões sobre os tópicos. Pretendo apenas elencar os elementos necessários ao estudo do cidadão investidor. Quanto a tomar um caminho ou outro, isto depende exclusivamente da pessoa. Conforme a pessoa vai estudando e se aprofundando nos assuntos ela vai tendo suas convicções e tomando suas posições de investimentos. É o que chamamos de perfil do investidor. Alguns são mais conservadores e outros são mais arrojados.

1. PAGAMENTO DE DÍVIDAS

Creio que este seja a primeira atitude do investidor iniciante: o pagamento de suas dívidas. Portanto, o iniciante deve avaliar o montante total de suas dívidas, sua capacidade de poupança mensal e sua possibilidade de investimento mensal.

Para alguns, as taxas contratadas das dívidas são baixas e estes preferem ir levando as dívidas e ao mesmo tempo investir. Para outros, deve-se liquidar primeiro as dívidas e somente depois pensar em investir.

O meu ponto de vista não importa neste momento. O que importa é o que você acha, investidor iniciante. Como se sentirá mais confortável. Pesquise e estude este assunto a fundo antes de passar para frente. Estude também o que é POUPAR. Coloque em uma planilha ou papel sua capacidade projetada de Poupança mensal e sua possibilidade projetada de Investimento mensal. Estabeleça metas honestas e alcançáveis. Se ainda tiver dívidas e for levá-las junto com os investimentos faça um controle desta parte também, principalmente sobre como isto pode afetar seus investimentos.

2. RESERVA DE EMERGÊNCIA

Estude o que é Reserva de Emergência. É a primeira parte de seu Investimento. É o que te dá suporte e fôlego em época de dificuldade financeira. Estabeleça o montante ideal desta reserva. Creio que este ponto é unânime: 100% dos investidores experientes acreditam que este quesito é fundamental para o sucesso financeiro de longo prazo. O que você deve decidir é o quanto e como você vai montar esta reserva. Estude também onde alocar esta reserva: poupança no seu banco, Tesouro SELIC, CDB, Nubank. São várias opções a se escolher, cada uma com sua vantagem…

3. PERCENTUAL DE RENDA VARIÁVEL NA CARTEIRA

Uma carteira de investimentos contém vários tipos de investimentos: Tesouro Direto, Fundos de Ações, Poupança, CDB, LCI/LCA, Debêntures, CRI/CRA, FII, Ações, Stocks, REITs. Entenda os tipos que você quer investir. Afinal, é seu dinheiro que estará em jogo! Entenda os riscos de cada modalidade. Separe o que é renda fixa do que é renda variável. Depois de aprendidos os conceitos, escolha as modalidades que você quer investir de início. Só depois disso tudo você conseguirá, de forma eficiente, definir qual o percentual total de renda variável que você estará disposto a ter em sua carteira de investimentos. Sugiro começar com pouco e ir aumentando até quanto se sentir confortável. Verifique os riscos de investir 100% na renda variável. Você verá muitos investidores experientes neste percentual, mas eles sabem o risco que correm. Um iniciante deve evitar este risco a todo custo!

4. PERCENTUAL DE CADA TIPO DE RENDA VARIÁVEL NA CARTEIRA

Considere agora apenas o montante da renda variável. Dentro desta categoria comece a pensar o quanto é ideal de se ter em cada tipo: ações, stocks, FII, REITs, Fundos de Ações. Você tem intenção de investir no exterior de início? Quer uma renda passiva com FIIs no início? Quer apenas ações? Conhece as vantagens e desvantagens dos Fundos de Ações? Você acha que precisa destes Fundos de Ações ou consegue escolher sozinho as melhores ações? Considerando tudo isto defina dentro da renda variável qual o percentual de cada tipo. Exemplo: 100% em ações; 50% em ações e 50% em FIIs; 40% em ações, 40% em FIIs, 20% em stocks; etc. Você terá que estudar muito esta parte. Ela poderá ser modificada ao longo do tempo, claro. Mas é importante você já definir um objetivo. Isto te força a conhecer este tópico antes de efetivamente começar a comprar.

5. ESTILOS

Este é um tópico muito importante na sua caminhada. Você deve pensar se irá realizar trades ou se será um holder puro. Não há crítica em ser híbrido. Você deve estudar os dois estilos, ver as vantagens e desvantagens de cada um. Pense se você já ouviu falar em algum trader com 50 anos de sucesso e se já ouviu falar em algum holder com 50 anos de sucesso. Pesquise e estude este tópico. Você pode decidir em ser 100% holder, ou ter uma parte de sua carteira para especulações (trades) ou pode decidir em ser 100% trader (caso você decida por ser 100% trader, creio que este roteiro termina aqui para você!). Vejo muitos novatos se definirem como holders, mas estão sempre comprando e vendendo ações. Estes não entenderam os conceitos deste tópico!

6. MONTAGEM DA CARTEIRA

Somente agora o investidor irá se preocupar em montar sua carteira de renda variável. Neste roteiro vou me concentrar nas Ações. Em outra oportunidade posso montar um roteiro de FIIs. Não tenho experiência suficiente para criar roteiros de Stocks e REITs.

6.1. TAG ALONG

Estude o que é Tag Along. Veja se você irá querer ações com tag ou sem tag. Se escolher com tag, veja o percentual que você deseja. Você aceita 80% ou somente quer 100%? Você encara ações como TRPL4 ou FESA4? O que tem nessas duas ações para você estudar sobre tag along? Onde você encontra este dado? Qual o risco envolvido quando se adquire uma ação sem tag?

6.2. AÇÕES ORDINÁRIAS (ON) OU PREFERENCIAIS (PN) OU UNITS

Aqui você irá complementar o estudo do tópico 6.1. Estes três tipos de ações estão presentes em todas as empresas? Se tiver os três tipos em alguma empresa que você está estudando qual você deve escolher e porque? Um tipo é melhor que outro? E se as ações PN tiverem 100% de tag along? Units tem tag along? O que uma empresa pretende ao ter Units? Uma empresa somente com ações ordinárias tem melhor governança corporativa? 

6.3. FREE FLOAT / LIQUIDEZ

O que é o free float? Qual o mínimo ideal para você conseguir investir? Onde você encontra este dado? E se você quer uma ação ON que tem 100% de tag along e essa ação não tem free float bom? Você deve escolher uma ação com bom free float apenas na PN sem tag along? E agora os casos de TRPL e FESA: o que você faria? 

E a liquidez, o que é? Qual o mínimo de média diária seria recomendável? Vale a pena investir naquelas empresas que só tem negócios de vez em quando? Como e onde se olha a liquidez?

Com estes três tópicos você já pode criar seu primeiro filtro. Você já definiu o que você quer e o que você não quer. Vá em algum site (Fundamentus pode servir para esta parte) ou monte sua própria planilha com estes filtros (pegue a relação das ações na B3 e colete os dados de empresa por empresa. Assim você exercita, aprende e ainda vai vendo uma por uma ação. Deste modo você saberá o porquê da eliminação de cada ação). O importante é que você irá limpar muito lixo neste primeiro filtro. Você pode fazer este exercício anualmente para ver se entrou alguma ação que antes não tinha tag e agora tem, ou alguma ação que antes tinha PN e agora só tem ON com tag, ações com free floats que melhoraram,etc.

6.4. AÇÕES COM PREJUÍZO

Este é um tópico polêmico. Mas creio que para iniciantes este tópico deve ser estudado para ver se encaixa ou não no seu método. Você gostaria de ter empresas com prejuízos constantes na sua carteira? Você gosta de perder dinheiro? Você aceita investir em uma empresa que dá 3 ou 5 anos de prejuízos seguidos?

Investidores muito experientes podem identificar as chamadas empresas de turnaround que tem prejuízos constantes mas estão dando sinais de que irão ser lucrativas em breve. Outros investidores experientes e iniciantes não tem esta “visão” aprimorada e devem permanecer de fora destas empresas.

Eliminando empresas com prejuízo de suas análises irá tirar muita dor de cabeça de você, iniciante. Você pode criar um filtro com empresas que deram prejuízo recente (ano passado ou dois anos atrás) ou deram prejuízo em um prazo maior (3 ou 5 anos) ou nunca deram prejuízo. Quanto maior o prazo, maior sua segurança. Com este filtro você tirará muita tranqueira e muito lixo de sua carteira. Estará investindo nas melhores. 

PS: Falei que não iria dar pitaco, mas aqui já deixo uma observação de que tirei do meu acompanhamento uma das maiores empresas da bolsa porque ela deu prejuízo em 2019!

6.5. CRITÉRIOS DE UMA BOA EMPRESA

Agora vem a parte crucial: a escolha de boas empresas. Mas como você fará isso de forma objetiva? Não basta “achar” que tal empresa seja boa. Você tem que ter certeza. Mas você também não irá ler todo o Release de cada empresa que sobrou no seu filtro, né? Você pode, então, definir mais alguns filtros contábeis-financeiros gerais para eliminar algumas empresas e estudar o Release somente as top de linha.

Mas quais itens você deve estudar? Lucro Líquido, Receita Líquida, Margem Bruta e Margem Líquida, ROE, Dívida Bruta e Líquida, EBITDA, Fluxo de Caixa Operacional e Fluxo de Caixa Livre. Estes são apenas alguns itens que elenquei para o iniciante estudar. Destes elementos se derivam vários outros. Crie filtros com estes elementos e você terá sempre as melhores na sua mão. Exemplo: Quero apenas empresas com margem bruta acima de 20%; apenas empresas com ROE acima de 10%; apenas empresas com FCL positivo nos últimos 5 anos; apenas empresas com DL/EBITDA abaixo de 3; etc. Vá combinando os elementos de acordo com seus estudos e crie seus parâmetros. Ao final você terá uma lista de boas empresas, em tese, para serem estudadas de forma mais aprofundada nos seus Releases.

6.6. SETORES

Um item bem importante de se estudar são os setores e segmentos das empresas listadas em bolsa. Você verá classificações conforme a B3 faz. Exemplo: Taesa é uma Utilidade Pública / Energia Elétrica. Mas informalmente você pode classificá-la como Elétrica/Transmissão porque existem as Transmissoras, as Geradoras, as Distribuidoras e as Híbridas.

Aqui você terá que estudar os setores/segmentos que você não deseja ter em sua carteira e aqueles que você deseja ter em sua carteira. Veja os pontos positivos e negativos de cada setor. Veja a questão das empresas de commodities, daquelas dependentes de outras (GOL/Smiles, Wiz/Caixa), daquelas com receitas em dólar, daquelas que dependem de insumos que podem encarecer de uma hora para outra (caso M Dias/trigo), setor aéreo e de turismo (veja o que ocorreu na pandemia com eles), setor de locação de carros, setor de logística, etc. Com esta análise você poderá eliminar vários tipos de empresas de sua carteira e poderá aceitar algumas com um risco maior.

6.7. QUANTIDADE DE ATIVOS

Veja a quantidade de ações que você deseja ter em sua carteira. Cada investidor tem sua quantidade ideal. Alguns ficam satisfeitos com 5 ações e outros acham 50 ações pouco. O importante é você perceber que quem tem 5 ações provavelmente terá somente a nata das melhores e também terá 20% de participação em cada uma. Qualquer tombo de uma destas empresas levará um quinto da carteira dele. Por outro lado a pessoa que tem 50 ações terá apenas 2% de risco em cada ação. Será uma carteira mais equilibrada, mais tranquila. Entretanto, quem tem 5 ações tem menos trabalho de acompanhamento enquanto quem tem 50 ações tem muito trabalho de acompanhamento.

PS: No meu acompanhamento trimestral de cerca de 100 ações de todos os setores, apenas 42 eu investiria. Eliminando os setores que não invisto sobram menos de 25. Portanto, no mercado brasileiro, não tem tanta opção de qualidade.

Procure por um estudo que diz que acima de 16 ativos a diversificação não altera tanto o risco. Veja o que ele significa para você. 

Não se preocupe com quantidade. Se preocupe com qualidade e diversificação. Veja também se irá investir em mais de uma empresa por setor. Se tiver muitos ativos há espaço para isto. Senão, não faz sentido, basta ter a melhor de cada setor.

Neste tópico também defina o percentual ideal de cada empresa na sua carteira. Você pode simplesmente utilizar o método 1/N (ou seja, dividir o número de empresas pelo total e deixar o mesmo percentual para todas) ou atribuir uma nota para cada empresa e dar um peso maior para as melhores (assim, você poderia ter 15 empresas, dando 5% de participação para 10 empresas e 10% de participação para as 5 melhores empresas).

6.8. ESCOLHA EFETIVA DAS AÇÕES

Creio que neste ponto você já está com as principais ações filtradas e já definiu muita coisa na sua cabeça. É hora, então, de analisar os Releases de cada empresa filtrada. Vá por setores. Veja os prós e contras de cada empresa filtrada daquele setor. Compare-as! Veja se o que os administradores relatam faz sentido. Anote as promessas. Veja o dizem dos problemas, como é a projeção de pagamento de dívidas.

É o momento de encontrar agulha no palheiro. É o momento de aceitar a empresa ou descartá-la. Anote seus estudos para o futuro. Caso a tenha aceitado, estes serão os motivos (fundamentos) pelos quais você comprou a empresa. Caso a tenha rejeitado, você poderá reavaliar a empresa em outra oportunidade, já que ela passou nos seus critérios contábeis-financeiros.

PARABÉNS! Agora você tem suas ações selecionadas. Mas ainda não as compre. Prossiga no restante do estudo. Você ainda tem que definir alguns outros fatores.

7. DIVIDEND INVESTING / VALUE INVESTING / BUY AND HOLD CLÁSSICO

Estes são três tipos de estratégias, todas baseadas no buy and hold. Estude os três tipos e veja qual você se adapta melhor. Veja vantagens e desvantagens de cada um. Você pode combinar o dividend com o value e ser híbrido. O híbrido é muito utilizado pelos americanos que investem em ações boas pagadoras de dividendos e as compram quando as consideram “baratas”.

Outros investidores escolhem ações “baratas” independente de serem ou não pagadoras de dividendos. Outros investidores praticam o método clássico, ou seja, compram empresas pagadoras de dividendos ou não e não verificam se as ações se encontram dentro de um preço “justo”.

Você terá neste tópico que passar pela maior polêmica no mundo do investimento em ações: o famoso “preço importa” e “preço não importa”. 99% dos investidores usam esses termos sem os conhecer. Estude esta questão e tome sua posição. Não há um lado correto. Há o ponto de vista de cada investidor e existem dezenas de estudos que demonstram que no longo prazo (20, 30 anos) a diferença será mínima.

8. CRITÉRIOS DE SAÍDA DA EMPRESA

Sendo um holder você dificilmente venderá uma empresa. Entretanto, há situações que você deverá vendê-la. Lembra que disse para anotar os motivos pelos quais você gostou de uma empresa? Pois então! É aqui que você utilizará estas anotações. Quando estes motivos forem se desfazendo ao longo do tempo talvez você precise vender aquelas ações. Você queria ter ações com 5 anos de lucros crescentes? E agora a empresa deu um prejuízo trimestral, passou a prejuízo anual, passou a prejuízo de 2 anos seguidos…

Cabe a você definir apenas qual será este tempo de perda de fundamentos e qual será sua atitude diante desta perda. Vamos a um exemplo. Você desfaria de uma empresa por ter dado prejuízo no 1T20? Provavelmente não, porque houve a pandemia COVID-19 e muitas empresas foram prejudicadas. Não foi um mal desempenho porque a empresa perdeu mercado, mas porque o mercado todo estava estagnado. Mas e se esta empresa deu um prejuízo anual em 2019 e você já a tinha antes? Você pode adotar o critério de apenas não aportar mais nesta empresa e deixá-la quieta na sua carteira (quarentena, standby) ou você pode decidir esperar dois anos seguidos de prejuízo para desfazer dela ou você pode simplesmente já desfazer dela agora com 1 ano de prejuízo e alocar o montante de sua venda em outra ação melhor.

Cabe a você já deixar estes critérios definidos para quando chegar o momento (se chegar) você não ser acometido por uma emoção de apego à empresa.

9. RESERVA DE OPORTUNIDADE E APORTE MENSAL REGULAR

Neste tópico você irá estudar estas duas estratégias. Você irá aportar mensalmente e de forma regular? Prefere aportar semanalmente? Quais as vantagens? Se for mensalmente será no início ou no fim do mês? Ou você prefere fazer uma reserva de oportunidade e aportar somente quando ocorrerem as crises? Se optar pela reserva de oportunidade, quando ocorrer a crise como você definirá cada aporte seu? Como você definirá o que é uma oportunidade (pandemia e greve dos caminhoneiros foram evidentes, mas em qual momento desta crise?). Entre uma crise e outra onde você colocará esta reserva?

Existe um estudo clássico que pode te ajudar a pensar. Procure por Buy the Dip x Dollar Cost Investing.

PS: Se você frequenta grupos de investimento em redes sociais você verá que muitos tinham caixa infinito na crise do coronavírus, pois a cada queda, eles diziam “ainda bem que guardei dinheiro para esta queda”. Como certeza, se você chegou até aqui e seguiu os passos todos você já é mais experiente do aquele cidadão “espertão”. Apenas os ignore e siga em frente…

Para não deixar passar em branco, também já vi pessoas que vão aportando mensalmente de forma regular e separam uma parte para a reserva de oportunidade. Exemplo: tem R$ 2.000 para investir, aportam R$ 1.500 no mês e guardam R$ 500 no Nubank.

10. ESTRATÉGIA DE APORTES

Neste tópico você irá definir sua estratégia de aportes. Se aplica àqueles que realizam aportes mensais. Você deverá definir se irá aportar nas ações que ficaram mais para trás na sua carteira, ou nas ações mais longe do percentual ideal, ou em novas ações.

Você deve definir um método claro e objetivo, para quando chegar o momento do aporte você não perder tempo e ser o mais eficiente possível com seu dinheiro. Faz mais sentido para você aportar numa ação que está valorizada em 20% ou uma que está descontada 20%, considerando que as duas tem a mesma qualidade? Já digo que existem opiniões para os dois lados e somente você poderá decidir qual é a melhor escolha PARA VOCÊ!

Você também deve definir se você irá aportar tudo numa só ação ou irá quebrar este aporte em valores menores e aportar em 2, 3, 4 ações. Se você tem uma carteira de R$ 200 mil e aporta R$ 2 mil por mês você pode aportar todo o valor numa única ação, mas se sua carteira é de R$ 20 mil e você coloca R$ 2 mil de uma vez você estará elevando em 10% o percentual daquela ação. Faz sentido? Ela está descontada e isto é uma estratégia sua? Talvez você possa definir um percentual máximo de aporte em relação ao total de sua carteira.

Veja também sobre o percentual de custo de cada ação na sua carteira. Uma ação pode estar em queda livre durante meses e você ficar aportando nela sempre achando que é melhor. Estude sobre o “custo afundado” ou algo assim. Se você tem valor de mercado de R$ 2 mil em cada ação sua, mas tem uma digníssima ação que tem o seu custo de R$ 8 mil enquanto as demais tiveram custo de R$ 1 mil, você deve reavaliar aquela empresa discrepante. No mínimo deixe-a em quarentena até reequilibrar com as outras.

11. ACOMPANHAMENTO DOS BALANÇOS

Os demonstrativos são divulgados trimestralmente pelas empresas da bolsa. São os chamados ITR. Anualmente são divulgados os DFP. As empresas podem sempre retificar estes demonstrativos quando encontram algum erro. Às vezes os números mudam e os indicadores mudam também, por consequência.

Portanto, procure ter uma rotina, seja semanal, mensal ou trimestral (ou até anual) de atualização destes demonstrativos. Já vou deixar AQUI mastigado para você o local que eu consulto de forma frequente (toda segunda eu olho os ITR e os DFP da semana anterior) estes demonstrativos.

Outra dica importante é verificar os dados sempre de forma anualizada (4 últimos trimestres: 1T20 + 4T19 + 3T19 + 2T19) ou anual (2019, 2018). Verificar os dados apenas trimestrais e compará-los com o mesmo trimestre do ano anterior é uma forma ultrapassada de análise. Veja, se você faz a análise anualizada do 1T20 você já está comparando com o 1T19 de forma indireta, pois se, por exemplo, o lucro anualizado 1T20 é maior que 2019, isto significa que o lucro de 1T20 puro foi maior que 1T19. É pura dedução lógica.

Fazendo da forma ultrapassada (1T20 x 1T19) você pode encontrar aberrações do tipo “queda de 90% no lucro da empresa LR”, enquanto que se você analisa de forma anualizada você encontrará algo mais realista do tipo “queda de 15% no lucro da empresa LR”. Você sai de grandes oscilações.

12. ACOMPANHAMENTO DE PROVENTOS

Adoro este item. No mesmo site que indiquei acima você pode fazer o acompanhamento dos proventos divulgados pelas empresas. Basta colocar “Avisos aos acionistas” e filtrar com a palavra “dividendos”. Outra forma (é a que eu utilizo) é se cadastrar no site de Relacionamento com Investidores (RI) das empresas que você detém ações e sempre que houver qualquer fato relevante você os receberá em seu email. Semanalmente faço um apanhado destes fatos que divulgam os proventos e os anoto em minha planilha.

13. MONTAGEM DE UMA PLANILHA

Monte uma planilha, no Excel ou no Google Planilhas, com os dados principais de suas operações. Aprenda a calcular o preço médio, aprenda a calcular o Imposto de Renda em casos de venda além de R$ 20.000, anote os proventos recebidos, tenha uma aba com o extrato diário, anote o estoque de ações (quantidade e preço médio) no dia 31/12 de cada ano. Tudo isto será importante para sua Declaração de Imposto de Renda Anual que você será obrigado e preencher a partir do ano seguinte à sua primeira compra.

CONCLUSÃO

O artigo ficou bastante intenso, mas creio que há bastante informação útil aí. Leia e releia com calma cada item. Provavelmente farei uma Parte 2 deste artigo, pois enquanto escrevia vieram outros tópicos à cabeça. Espero que seja de grande ajuda aos novos investidores em renda variável.

Neste Blog existem vários outros artigos que podem ajudar o novato a desvendar alguns dos tópicos que indiquei acima. Outros tópicos irei adicionando aos poucos no Blog para auxiliar na tomada de decisão do investidor. Entretanto, é de sua importância que se pesquise em várias outras fontes: Blogs, estudos e teses, sites especializados e até o Youtube.

Meu principal conselho é: seja humilde. Aprenda, estude, reconsidere suas posições de entendimento. Uma pessoa só pode evoluir se ela tem senso crítico de realizar mudanças. Existem investidores que erram, continuam errando e querem forçar outros investidores a errarem também. Não seja assim. Erre, mas aprenda com o erro. Eu errei bastante antes de chegar onde cheguei, ainda erro, mas cada vez menos! Mudei de opinião algumas vezes e estou preparado para mudar de novo em outras questões desde que sejam fundamentadas em estudos concretos e não apenas em achismos.

Se você estudar estes tópicos ANTES de investir eliminará grande parte dos possíveis erros.

Até a próxima oportunidade!

2 comentários em “Roteiro de Estudo para o Investidor Iniciante em Renda Variável”

  1. Parabéns pelo site, ótimo conteúdo e com certeza o investidor iniciante irá absorver muita informação. Me chamo Vance, sou analista a 1 ano e meio no mercado e também particularmente gosto muito da estratégia de dividend investing apesar de também misturar com outras estratégias mas enfim acho que cada investidor acaba encontrando uma filosofia própria. Abraço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *