Análise Fundamentalista Quantitativa – ROMI3

Indicadores Fundamentalistas - ROMI

Análise dos Demonstrativos

Inicialmente deixo o LINK para os demonstrativos financeiros da empresa Romi de onde foram retirados os dados aqui analisados. Passo abaixo a comentar alguns indicadores.

A empresa detém uma Tag Along de 100% dando segurança ao acionista. Seu Free Float é de 40%, o que garante uma boa liquidez no mercado secundário.

A empresa aumentou sua Receita Líquida em 3% em 2019 na comparação com 2018.

O EBITDA aumentou 74% em relação a 2018. Tal aumento se deu devido a um processo judicial transitado em julgado favoravelmente à empresa Romi no valor de R$ 138 milhões, dos quais R$ 74 milhões foram classificados na rubrica outras receitas operacionais e R$ 64 milhões em receitas financeiras.

Devemos fazer a análise contábil de forma genérica e imparcial. Entretanto, a contabilidade, por vezes, deve ser interpretada. Isto significa que o valor de R$ 138 milhões na contabilidade da empresa no ano de 2019 tem um forte impacto e deve ser considerado não recorrente.

            Neste ponto, ainda na análise do EBITDA, devemos comparar que o valor de R$ 138 milhões é praticamente o mesmo valor do lucro bruto (Receitas Líquidas menos custos de produção) de R$ 136,8 milhões. Ou seja, é equivalente a um ano de operação da empresa!

            Para sermos justos, o EBITDA recorrente em 2019 seria de R$ 64 milhões, o que daria uma redução na margem EBITDA de 3% em relação a 2018 ao invés do atual aumento de 7%.

            Quanto ao Lucro Líquido, primeiramente, verificamos que houve um prejuízo em 2016, o que deixa a empresa com Lucro Líquido nos últimos 3 anos apenas. O Lucro Líquido da empresa teve um aumento contábil de 55% em relação a 2018 totalizando R$ 130 milhões. Entretanto, se considerarmos o valor judicial contabilizado, a empresa teria um prejuízo anual de R$ 8 milhões.

            Tanto a margem líquida quanto o ROE da empresa ficaram em 17%, o que é um valor muito bom para ambos indicadores.

            A Liquidez Corrente (LC = AC / PC) está bem satisfatória (ideal acima de 1).

            Quanto às dívidas, verificamos que os indicadores se encontram dentro dos parâmetros de equilíbrio de endividamento: DB / PL abaixo de 0,5; DL / EBITDA abaixo de 2; Índice de Cobertura de Juros (EBITDA / Juros de Empréstimos Pagos) acima de 5.

            Analisando o Fluxo de Caixa agora, a parte mais importante que eu acho, observo que houve uma geração líquida de caixa operacional de R$ 116 milhões.

No Fluxo de Investimentos houve uma aquisição de imobilizado/intangível de R$ 37 milhões (CAPEX) que representa 110% da Depreciação e Amortização (D&A) contabilizada. O CAPEX em 2019 foi bem maior que 2018 (R$ 25 milhões). O significado das entrelinhas é que a empresa aproveitou e reforçou seu maquinário e na minha visão expandiu seu parque industrial.

No Fluxo de Financiamentos pagou o dobro de dividendos de 2018. Um investidor mais desavisado poderia imaginar que esta distribuição de dividendos teria melhorado. Entretanto, vejo como uma distribuição anual não recorrente e que não deve se repetir em 2020.

Ainda no Fluxo de Financiamentos observo que houve uma captação líquida de empréstimos, ou seja, a empresa mais tomou empréstimo do que pagou. A meu ver, teria sido melhor a empresa pagar os mesmos dividendos de 2018 e utilizar o montante restante para a amortização do principal da sua dívida bruta.

Mesmo assim, a empresa conseguiu gerar mais caixa em 2019, aumentando seu saldo em R$ 49,5 milhões e deixando um saldo final de R$ 147,8 milhões em caixa e equivalentes de caixa. Este caixa corresponde a 26% do custo de produção de 2019, o que pode ser considerado um bom capital de giro para a empresa iniciar 2020.

O Fluxo Operacional (FCO) corresponde a 15% da receita líquida. Isto significa que a geração de caixa líquida pelas operações da empresa corresponde a 15% das suas vendas. É um valor baixo, mas aceitável.

O Fluxo de Caixa Livre CAPEX (FCO – CAPEX) corresponde a 61% do Lucro Líquido. Gosto deste indicador pois ele demonstra a sobra de caixa depois dos investimentos em imobilizado e intangíveis comparado com o lucro líquido. No fundo é a comparação do regime de caixa com o regime de competência. Para mim,
um fator acima de 1 indica forte geração de caixa, que ultrapassa até mesmo seu lucro contábil. Um valor abaixo de 1 indica fraca geração de caixa.

A contabilidade tem regras predefinidas e deve ser corretamente interpretada pelo investidor. Um vacilo e não enxergamos algo perigoso. No caso da empresa Romi em 2019, vimos que contabilmente foi registrado um alto valor. Se o investidor verificar apenas os números verá um aumento de lucro enorme e achará que a empresa deslanchou. Este investidor deve verificar e ler os relatórios com cuidado para ponderar seus investimos.

Método Melston

Método Melston - ROMI3

O Método Melston analisa 16 fundamentos e dá notas para esses itens, totalizando 45 pontos. Desta forma, uma empresa pode ir mal em algum fundamento e ainda assim se “classificar” para o encarteiramento.

No caso da Romi, no 4º Trimestre de 2019 (4T19), ela atingiu 41 pontos. Perdeu pontos apenas na categoria de lucro líquido constante nos últimos 4 anos e na categoria de FCL / LL (o ideal seria acima de 1). Conseguiu um Rating AA e uma nota trimestral de 9,1.

Entretanto, o Método tenta ajustar estas discrepâncias, como ocorreu com a Romi referente à receita não recorrente. O Método faz uma média de médio prazo (8 trimestres) de todas as notas conseguidas pela empresa e a reclassifica.

No caso da Romi, ela está atualmente com uma nota geral de 8,1 e um Rating A. Com certeza o 4T19 deu uma boa elevada em sua média, mas mesmo assim ela ainda não conseguiu a passagem para o time principal.

Para chegar a este time exijo que a empresa tenha Rating AA (nota geral 8,6) por pelo menos 2 trimestres consecutivos. Isto dificulta azarões de chegar ao time principal.

Claro que todo este trabalho é apenas um filtro das empresas e quando ela finalmente chega na fase de ser encarteirada, volto a analisar todos os Relatórios dos últimos 8 trimestres, mas com foco na parte qualitativa, pois na parte quantitativa a empresa já está habilitada.

Desta forma, a seleção das ações passa por critérios objetivos, matemáticos e estatísticos. Existe um controle automatizado em Excel de mais de 100 empresas e o trabalho mecânico se resume ao estudo qualitativo quando o automatizado dá algum resultado positivo.

Para finalizar o estudo da empresa Romi, gosto de verificar alguns indicadores complementares.

No caso da Romi, 40% de seu FCO em 2019 foi destinado aos proventos e 32% para o CAPEX. Veja que a empresa mais distribuiu do que reinvestiu.

Outra análise bacana de se fazer é o Proventos / FCL. Todos estão acostumados com o payout (dividendos / lucro líquido). Entretanto, nunca vi ninguém comparar os dividendos recebidos com seu FCL CAPEX. Para mim, faz mais sentido ver o quanto do FCL CAPEX (sobra de caixa depois dos investimentos) a empresa distribuiu efetivamente. Para mim, o lucro contábil é apenas um número fictício, enquanto o FCL CAPEX é dinheiro no caixa da empresa e é de lá que sairão nossos proventos.

Se pararem pra pensar, tem empresas que distribuem acima de 100% de payout. Alguns devem pensar: Como pode a empresa pagar mais do que tem de lucro? A resposta é que aquela empresa gerou muito caixa, que mesmo pagando os investimentos em CAPEX, ainda foi maior que o lucro contábil. Este é o indicador FCL CAPEX / LL que eu tanto gosto.

Uma sobra de caixa (FCL CAPEX) somente servirá para poucas coisas: pagamento de dívidas, distribuição de proventos e outras pequenas coisas que tem pouca relevância. Se trabalhamos com empresas com dívida controlada, haverá grande chance desta sobra de caixa ser direcionada para o acionista!

CONCLUSÃO

Este estudo analítico visa demonstrar o Método pelo qual eu analiso as ações da bolsa brasileira. É um Método objetivo, prático, rápido e eficiente. Neste post eu acabei explicando mais detalhadamente, pois os leitores podem não saber exatamente os termos utilizados nos quadros e nem seus significados.

Entretanto, na prática, tenho apenas uma tabela no Excel que insiro os dados manualmente a cada trimestre para todas as empresas. Este trabalho braçal é recompensador, pois evita distorções e erros dos sistemas eletrônicos vistos em outros sites.

Ao final da temporada de balanços de cada trimestre eu tenho uma visão geral de todas as ações que acompanho (cerca de 120), o meu ranking pessoal, as ações novatas no ranking, as rebaixadas, as incansáveis vencedoras, etc.

Tentei elaborar as duas tabelas coloridas contendo todas as informações de forma resumida, pois em futuras análises o leitor assíduo já será capaz de bater o olho e ver o desempenho trimestral de uma ação segundo os critérios do Método. Abaixo das tabelas sempre vou colocar um breve resumo do desempenho, caso o leitor sinta-se mais confortável.

Esta análise visa que seja apenas um resumo do trimestre de cada empresa. Isto não dispensa o investidor de ler todo o Relatório e buscar outras informações caso deseje realizar o investimento. A análise é apenas um atalho para o investidor ver de pronto se vale um estudo mais aprofundado ou não naquela empresa.

Gosto sempre de relembrar, ao final de cada postagem, que a ação aqui divulgada não é recomendação de compra. Ela faz parte de um Método Didático de escolha de ações e Planejamento de Investimento visando a construção de uma Carteira Previdenciária.

Cada investidor deve se apropriar do conhecimento em si e aplicá-lo à sua própria estratégia que será definida e aperfeiçoada ao longo de sua caminhada financeira durante a vida inteira.

Espero este estudo prático tenha melhorado o conhecimento e a encurtado a caminhada do leitor. Qualquer coisa que eu tenha esquecido de mencionar ou qualquer dúvida basta postar nos comentários. 

Caso deseja tenha gostado deste formato de análise deixe nos comentários sua opinião. Pode deixar também sugestões de novas análises.

Abraço e até a próxima publicação!

2 comentários em “Análise Fundamentalista Quantitativa – ROMI3”

    1. A gente acaba acostumando. Vou te dizer que escrever o post demorou o tempo de análise de várias empresas. Uma análise pode ser simples e eficiente (não necessariamente amadora). Eu acabei automatizando tudo em Excel e o único trabalho é cadastrar manualmente todos os dados trimestralmente. Mas gosto de fazer isso porque pratico a contabilidade e já vou vendo eventuais furos ou inconsistências. Os demonstrativos “conversam” comigo e extraio toda uma história daqueles números.

      Obrigado por ter prestigiado meu Blog.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.