Estudo sobre Empresas de Dividendos e de Crescimento

Hoje resolvi fazer um estudo sobre empresas de dividendos e empresas de crescimento. O resultado foi muito interessante, me agregou muito conhecimento e derrubou alguns conceitos que estavam enraizados em minha mente e sem explicação racional.

OBJETIVO

O objetivo deste estudo foi comparar o desempenho de empresas que distribuem dividendos regularmente e empresas que distribuem pouco dividendo. Os valores de muito e pouco são definidos normalmente pelos investidores como o dividend yield das ações. Quando se olha dividendo, talvez a primeira coisa que olhamos é o DY%.

PREMISSAS

O estudo foi realizado tomando as cotações de fechamento diário de seis ações durante o período de 02/01/2015 a 15/04/2020.

Os preços são ajustados pelos dividendos distribuídos, agrupamentos e desdobramentos, quando existentes.

Foram “compradas” quantidade de ações que correspondessem a R$ 10.000 no dia 02/01/2015.

As seis ações escolhidas foram: LREN3, WEGE3, VIVT3, PSSA3, ITSA3, TAEE11. Inicialmente o estudo tinha o foco em apenas 2 ações de dividendos e 2 ações de crescimento. Entretanto, devido ao resultado das 4 ações iniciais, acabei colocando mais 2 ações de dividendos para confirmar o resultado.

Os dividendos foram coletados diretamente dos sites de RI de cada empresa. Cinco empresas já divulgam os dividendos ajustados e os juros sobre capital próprio líquidos de Imposto de Renda. Somente a PSSA deu um pouco mais de trabalho por ter que coletar cada fato relevante de distribuição de proventos.

Os dividendos distribuídos foram integralmente reinvestidos no dia útil posterior à data de pagamento. Sempre que havia saldo remanescente (por não ser possível usar todo o dinheiro para comprar ações inteiras) este saldo era utilizado no primeiro dia que a ação chegasse ao preço do saldo ou se juntava com  os dividendos para comprar mais. Exemplo: Saldo de R$ 10 em ITSA3 e preço de R$ 11. Ao chegar em 9,99 comprava-se mais 1 ação e ficava com saldo de R$ 0,01. É o que faço normalmente. Quando pinga algum dividendo na conta, reinvisto imediatamente. Se há saldo na conta, tento comprar alguma ação imediatamente que o valor possa comprar.

Creio que essas são todas as premissas do estudo.

GRÁFICO

Estudo Dividendos

A primeira conclusão que verificamos é que as duas ações de crescimento tiveram o melhor resultado final.

A segunda conclusão é que, mesmo com a atual queda da Bolsa como um todo, todas as ações se valorizaram ao longo do tempo.

A LREN se destacou desde o início. Apesar de pagar “pouco” dividendo, sua valorização é absurda. Mesmo com a queda a LREN se manteve acima das demais ações.

A WEGE sempre teve um desempenho semelhante às demais ações, mas deu uma acelerada em 2019/2020. Ao final do estudo está em primeiro no resultado.

A TAEE foi interessante analisar. Se despontou como segunda colocada por um bom tempo. Embolou com as demais a partir do meio do caminho. Mas ao final do estudo permaneceu em terceiro lugar e sua queda foi bem menor que as empresas de crescimento.

A VIVT, ao meu ver, foi a que menos sofreu com a crise, mas está na lanterninha, mesmo distribuindo bons dividendos.

Resumo de Dividendos5

Acima fiz um resumo do estudo. Muitas conclusões podem ser retiradas dali.

WEGE tem um yield 3x menor que PSSA, mas valorizou 4x mais que PSSA.

O crescimento mensal médio de empresas de crescimento são realmente muito superiores às empresas de dividendos.

TAEE teve o melhor dividend yield médio mensal e um bom crescimento médio mensal. Logo, uma empresa pode pagar bons dividendos e ainda crescer de forma sustentável.

Em uma suposta carteira composta das seis ações (e foi casual que há apenas 1 representante de cada setor) teria crescido 156% em pouco mais de 5 anos, uma média de 30% a.a.

CONCLUSÃO

O resultado deste estudo me leva à conclusão que devemos ter os dois tipos de ação na carteira.

Independente da crise que venha (e este estudo demonstrou isto), as boas ações tendem a se valorizar no médio prazo (e com certeza no longo prazo). A importância dos dividendos passa a ser secundária. Vê-se que os resultados dos dividendos, apesar de encherem os olhos, são inferiores à valorização do preço das ações de crescimento.

A grande questão, entretanto, e que o estudo não consegue responder é: E se, ao aposentar, estivermos vivendo uma crise? O preço das ações de crescimento terão caído bem mais que as ações de dividendos (como demonstra o estudo). Se eu quero uma renda na aposentadoria eu teria que vender ações de crescimento muito desvalorizadas.

Por isso, defendo que existam ações de dividendos na carteira que consigam suportar uma renda mensal mesmo em épocas de crises. Estas não precisariam ser vendidas.

Imagine dois investidores que se aposentaram em janeiro deste ano, no auge da bolsa. Um tinha apenas ações de dividendos (DIV) e outro tinha apenas ações de crescimento (CRE). O que tinha ações de crescimento tinha um patrimônio muito maior que o outro.

Entretanto, em março o DIV não precisou vender suas ações, passou o mês apenas com os dividendos distribuídos. Já CRE teve que vender mais ações que antes, queimando mais seu patrimônio e diminuindo sua reserva.

Portanto, ter ações de crescimento é bom para o aumento do patrimônio, que em algum momento anterior à aposentadoria poderá ser convertido em ações de dividendos. A minha sugestão e provavelmente é o que farei no futuro é: uns cinco anos antes da provável aposentadoria, irei vender um pouco abaixo de R$ 20.000 por mês de ações de crescimento e irei comprando mais ações de dividendos.

Antes eu tinha dúvidas sobre a real necessidade de empresas de crescimento na carteira. Só via os colegas dizendo que dividendos não eram essenciais e davam exemplo da Berkshire (apesar que a Berkshire tem a Coca-Cola, uma boa pagadora de dividendos, como sua maior participação em carteira!).

Com o estudo, eu passo a considerar ter algumas ações de crescimento na carteira. Mas neste caso eu teria que dar uma rasteira na estratégia buy and hold em algum momento, pois teria que vender ações para complementar minha aposentadoria no futuro. Já com ações de dividendos eu complementaria com os proventos e deixaria o patrimônio como herança.

Gosto sempre de relembrar, ao final de cada postagem, que as ações aqui divulgadas não são recomendações de compras. Elas fazem parte de um Método Didático de escolha de ações e Planejamento de Investimento visando a construção de uma Carteira Previdenciária.

Cada investidor deve se apropriar do conhecimento em si e aplicá-lo à sua própria estratégia que será definida e aperfeiçoada ao longo de sua caminhada financeira durante a vida inteira.

Abraço e até a próxima publicação!

4 comentários em “Estudo sobre Empresas de Dividendos e de Crescimento”

  1. Bom estudo, obrigado por compartilhar, eu tenho um mix também, maioria são empresas confiáveis/blue chips, mas tenho algumas de crescimento e de dividendos também, pretendo adicionar mais algumas de dividendos pra deixar a carteira mais estável, menor beta. Abraços

    1. Boas colocações… mas tenho uma preocupação metodológica que é a de prazo. 4 anos parecem muito, mas só captura o equivalente a 1 ciclo empresarial. Além disso é uma fase em que existiu vento a favor (selic em queda) o que impulsiona qq empresa de dividendo. O correto seria alongar esse prazo e avaliar durante diversos ciclos, como essa diferença se comporta. Abs

      1. Vou levar o prazo em consideração Andre. Na próxima tento esticar para uns 10 anos. Realmente este prazo aí já foi trabalhoso, mas vou tentar melhorar.

    2. É sempre bom ver pessoas comentando suas estratégias. Isto agrega conhecimento. Creio que o mix é o ideal mesmo. Acaba sempre caindo na famosa diversificação…

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